Como surgiu a ideia que viabilizou o preparo do
prato típico de Campo Mourão, o Carneiro no Buraco? Muitos visitantes,
profissionais de comunicação e até moradores da cidade tem essa curiosidade. Os
pioneiros da cidade contam que a origem remonta ao início da década de 1960. O
pioneiro Ênio Camargo de Queiroz, junto às famílias de Joaquim Teodoro de
Oliveira e Saul Ferreira Caldas, viram um filme de faroeste onde indígenas
sul-americanas cozinhava alimento em um buraco no chão.
Os amigos então decidiram tentar cozinhar a carne
de carneiro, misturada com legumes e alguns temperos. As primeiras receitas não
deram certo, mas eles não desistiram e foram aprimorando. Adelaide Teodoro de
Oliveira teve papel essencial nesse processo, testando e ajustando os
ingredientes até atingir o ponto que consideraram ideal.
O toque final veio nos anos 1980, quando o artista
plástico Tony Nishimura, herdeiro da receita de Adelaide, se destacou como
mestre cuca e deu ainda mais notoriedade ao prato, que já era servido em confraternizações
da cidade. Em 1991 foi o salto definitivo para o reconhecimento nacional.
Naquele ano, o Aeroclube de Campo Mourão abraçou a ideia da criação de uma
festa dedicada à iguaria.
A iniciativa também contou com o apoio da
tradicional confraria Boca Maldita, que, preocupada com o risco de outros
municípios "se apropriarem" da receita, articulou com autoridades
locais a realização da primeira Festa Nacional do Carneiro no Buraco, em julho.
Na primeira festa 70 tachos foram preparados, cada
um com capacidade para alimentar até 60 pessoas. A popularidade do evento
cresceu ano após ano e em 2026 está na 31ª edição, quando 140 tachos foram
preparados para servir mais de 6 mil pessoas.
A Festa Nacional do Carneiro no Buraco foi
oficialmente incluída no calendário estadual de eventos turísticos por lei
estadual em 2019. Mais do que isso, o prato foi reconhecido como patrimônio imaterial
de Campo Mourão, consolidando seu papel como símbolo da identidade local.